Na capital financeira dos Estados Unidos, a Invest RS apresentou, na manhã desta terça-feira (12/5),  a proposta de organizar um fundo estratégico para atrair investimentos e dar sustentação ao desenvolvimento econômico do Rio Grande do Sul. No Public & Private Capital Forum for Economic Development, realizado em Nova York, na sede da Deloitte, a agência detalhou o projeto, que será realizado, sob coordenação da Secretaria de Desenvolvimento Econômico (Sedec), a partir de uma parceria com a consultoria e com Badesul, Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) e Secretaria da Fazenda. A apresentação contou com a participação do governador Eduardo Leite e aconteceu em meio à programação da Brazilian Week 2026.

Durante o evento, Invest RS e Deloitte assinaram um contrato para a realização de estudos e projetos que levarão à formação de um fundo estratégico, com a meta de longo prazo de receber um aporte de até US$ 5 bilhões, sendo US$ 1 bilhão em aportes públicos e o restante proveniente de capital privado. O mecanismo, que irá englobar outras ferramentas financeiras de apoio ao investimento, é uma resposta necessária aos efeitos da reforma tributária, que impedirá os Estados de concederem incentivos tributários.

A proposta é construir, ao longo dos próximos anos, uma arquitetura financeira capaz de mobilizar recursos para financiar setores estratégicos da economia gaúcha. Com a reforma tributária, será reduzida progressivamente a capacidade de os Estados utilizarem incentivos fiscais como principal ferramenta de atração de investimentos. Na prática, a mudança representa o enfraquecimento gradual da chamada “guerra fiscal” – modelo em que os Estados competiam entre si oferecendo benefícios tributários para atrair empresas e novos empreendimentos. A avaliação da Invest RS é de que o Rio Grande do Sul larga na frente ao começar desde já a estruturar o novo modelo. 

Segundo o presidente da Invest RS, Rafael Prikladnicki, o projeto é ousado e representa uma mudança estrutural na forma como o Estado pretende estimular investimentos e desenvolvimento econômico nos próximos anos. “Alinhado às melhores práticas, no médio e no longo prazo, é uma visão estratégica que estamos apresentando para o desenvolvimento do Rio Grande do Sul”, garantiu.

A Deloitte será a parceira técnica no diagnóstico do cenário e na estruturação da iniciativa. “Estamos diante de uma nova realidade, na qual o investimento público assume uma postura mais ativa, impulsionando o desenvolvimento econômico por meio de fundos públicos e estratégias de blended finance, com o objetivo de atrair recursos privados e ampliar a competitividade das regiões”, disse Luiz Paulo de Assis, sócio de Soluções de Estratégia para Governos e Serviços Públicos e de Infraestrutura da Deloitte Brasil.

Na mesma linha, o sócio-líder de Governos e Serviços Públicos da Deloitte Brasil, Edson Cedraz, ressaltou que o novo cenário exige uma mudança de paradigma nas políticas estaduais de desenvolvimento. “Esse movimento acelera uma transição necessária do incentivo fiscal para a subvenção econômica e financeira, orientada pela alocação de capital, pela estratégia de investimentos e pela geração de valor”, disse.

Como parte da estratégia apresentada em Nova York, o Rio Grande do Sul detalhou quatro instrumentos financeiros que servirão de base para a nova arquitetura de desenvolvimento econômico do Estado. Entre eles está o Fundo Gaúcho de Risco Climático, com aporte inicial de R$ 100 milhões, voltado à redução de riscos do mercado segurador diante de eventos extremos. A iniciativa busca garantir maior previsibilidade fiscal e rapidez na liberação de recursos para reconstrução após crises climáticas, reduzindo a pressão direta sobre o orçamento público em momentos de emergência.

Também foi apresentado o Programa Avançar Mais Cidades, destinado ao financiamento de infraestrutura municipal. O investimento inicial é de R$ 300 milhões para operações de crédito voltadas às prefeituras gaúchas. Outro instrumento é o Avançar Mercado de Capitais RS, iniciativa voltada à ampliação do acesso de empresas gaúchas ao mercado de capitais por meio do Programa Fácil, da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A proposta prevê até R$ 300 milhões em investimentos por meio de fundos administrados pela Banrisul DTVM.

Já o FIP Deep Techs será voltado ao financiamento de startups de base científica e tecnológica em áreas como biotecnologia, semicondutores, inteligência artificial, agro e energia, setores em sinergia com o Plano de Desenvolvimento Econômico, Inclusivo e Sustentável. O fundo terá participação inicial de Badesul, BRDE e Cadip, com previsão de aportes entre R$ 50 milhões e R$ 100 milhões e possibilidade de atração futura de investidores institucionais privados.

Assessoria de Comunicação da Invest RS

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