A China é o ponto de partida da agenda internacional do Instituto Caldeira em 2026, em parceria com a Invest RS. Entre os dias 25 e 30 de maio, uma delegação formada por executivos brasileiros participa de uma imersão em dois dos principais polos de inovação do país: Beijing e Shanghai. A missão tem como foco a aplicação prática da inteligência artificial em setores como mobilidade, logística, energia e infraestrutura urbana.

A viagem marca o início da nova rodada das Missões Internacionais do Instituto Caldeira, programa que desde 2024 tem ampliado o horizonte estratégico de lideranças brasileiras por meio de agendas de negócios e aprendizado em centros globais de tecnologia. “A proposta das Missões é gerar conhecimento aplicável, ampliar o repertório dos líderes e aproximar o Brasil das fronteiras tecnológicas do mundo, buscando acelerar a internacionalização das empresas brasileiras ao conectar executivos com novas frentes de negócio, parcerias e oportunidades de investimento”, explica Pedro Valério, Diretor Executivo do Instituto Caldeira. “É uma agenda densa, com visitas técnicas, encontros com executivos e discussões aprofundadas sobre como as tecnologias emergentes estão sendo integradas a setores produtivos e governos mundo afora.”

Desde o ano passado, as missões são realizadas em parceria com a Invest RS, agência de atração de investimentos e promoção comercial do Rio Grande do Sul. “Essa aliança transforma as missões em uma plataforma de desenvolvimento relevante. Levamos executivos brasileiros ao exterior, mas também abrimos portas para que investidores globais olhem para o nosso ecossistema com mais atenção”, explica Pedro.

Para o presidente da Invest RS, Rafael Prikladnicki, a continuidade da parceria com o Instituto Caldeira consolida um modelo de atuação colaborativa que amplia o impacto das missões internacionais. “A iniciativa fortalece a inserção do Rio Grande do Sul em agendas globais, ao mesmo tempo em que conecta empresas gaúchas a referências internacionais de excelência, transformando conhecimento, relacionamento e cooperação em oportunidades concretas de internacionalização e possibilidades de atração de novos negócios”, afirma Prikladnicki.

Missão China 2026: tecnologia como infraestrutura nacional

A primeira missão de 2026 acontece em um contexto de crescente protagonismo da China como potência tecnológica. O país já responde por quase 50% das patentes registradas no mundo e investe mais de US$500 bilhões anuais em pesquisa e desenvolvimento. Para além dos números, o diferencial chinês está na forma como o governo trata tecnologias emergentes – como IA, 5G e computação em nuvem – como infraestrutura nacional. A China lidera em patentes de IA, respondendo por 69,7% das concessões acumuladas até 2023; e se destaca também no campo da chamada “IA incorporada” (embodied AI), com o desenvolvimento de robôs humanoides.

Em rankings globais de produção e impacto de pesquisa, universidades chinesas conquistaram posições de destaque entre as instituições mais influentes do planeta. O volume de publicações científicas produzidas por pesquisadores chineses já supera o dos Estados Unidos em métricas consolidadas de produção científica global, refletindo a profundidade e a escala do esforço em ciência e tecnologia no país.

A missão terá duração de oito dias, ocorrendo entre 23 e 30 de maio, passando pelas duas principais cidades do país: Beijing e Shanghai. O roteiro contempla imersões culturais e visitas a empresas, universidades de ponta e parques tecnológicos que lideram a aplicação prática de tecnologias em larga escala.

Beijing

A primeira etapa, de 25 a 27 de maio, será dedicada ao eixo cultural, tecnológico e acadêmico da capital chinesa, com visitas a patrimônios históricos fundamentais e empresas reconhecidas globalmente:

  • Alibaba – um dos maiores ecossistemas digitais do mundo, que integra comércio eletrônico, logística, cloud computing e serviços financeiros.
  • Tsinghua University e TusPark – a principal universidade de ciência e tecnologia do país, conectada a um dos maiores ecossistemas de inovação e aceleração de startups da China.
  • 4Paradigm – referência em plataformas de inteligência artificial voltadas especificamente para automação e tomada de decisão no mercado corporativo.
  • Xiaomi – um dos ecossistemas tecnológicos mais amplos do mundo em hardware e AIoT, com atuação recente e agressiva na produção de veículos elétricos.
  • Megvii – uma das empresas líderes globais no desenvolvimento de visão computacional, reconhecimento facial e aplicação de IA no mundo físico.
  • Outras instituições – como o HiCool, uma importante plataforma governamental de atração e aceleração de startups, além de imersões estratégicas na Cidade Proibida e na Grande Muralha da China.

Shanghai

A segunda etapa, iniciada em 27 de maio a partir do trajeto no avançado sistema de trem-bala chinês, foca em transição energética, inovação jurídica e integração de tecnologia às cidades inteligentes. Os destaques incluem:

  • Ming Yang – líder global na fabricação de turbinas eólicas offshore e peça chave da infraestrutura para a transição energética chinesa.
  • SenseTime – gigante focada em inteligência artificial generativa, visão computacional e desenvolvimento de soluções em larga escala para cidades inteligentes.
  • Yingke Law Firm – um dos maiores escritórios de advocacia do mundo em número de profissionais, responsável por facilitar o suporte jurídico em M&A e investimentos internacionais (cross-border).
  • Shanghai Smart City Development Institute (SCDI) – principal centro estratégico chinês na articulação entre governo e tecnologia (IA, IoT, Big Data) para projetos urbanos.
  • MaQiao AI Zone – distrito focado em robótica, infraestrutura digital e automação, operando como um ecossistema de testes práticos de inteligência artificial urbana em grande escala.
  • Outras iniciativas – como o hub de inovação para economia digital Bund FTC, e a emblemática Shanghai Tower, um dos edifícios mais altos e arquitetonicamente avançados do mundo.

Além das visitas, a agenda prevê momentos de integração e sessões de mentoria com executivos e especialistas, como Samuel Liao (Yingke LATAM), focado em investimentos e internacionalização entre a América Latina e a China; Leo Zhang (Taste AI e ex-Tencent/Baidu), especialista em estratégias massivas de crescimento de plataformas digitais; e Marcelo Sampaio (CEO da Vale na China), responsável por visões executivas sobre logística global e relacionamento comercial. Um dos objetivos centrais das conexões é discutir modelos de negócio, entender as soluções de inteligência em escala do mercado chinês e explorar oportunidades reais entre China e Brasil.

Conexão entre empresas brasileiras e grandes referências globais

O Instituto Caldeira tem se consolidado como um elo global de conexão entre empresas brasileiras e os centros de excelência tecnológica ao redor do mundo. O papel das Missões é central nesse processo, ao permitir acesso a interlocutores-chave e conhecimento de ponta.

Mais de 200 executivos de 90 empresas brasileiras já participaram das Missões, resultando em pelo menos dez parcerias internacionais e três projetos de inovação e investimentos. Entre os diferenciais das Missões Internacionais estão a curadoria técnica das agendas que priorizam conteúdo e relevância — e o nível dos interlocutores acessados. “As Missões são uma das formas mais eficazes de transformar repertório em resultado. É quando o conhecimento adquirido lá fora se traduz em novas estratégias, parcerias ou inovação dentro das empresas participantes. Mais do que isso, elas ajudam a projetar o ecossistema brasileiro no cenário internacional”, diz Pedro Valério, do Caldeira.

Voltadas a C-Levels, gestores e decisores estratégicos que desejam entender, in loco, como funcionam os ecossistemas que lideram a transformação digital e a nova economia global, as Missões Internacionais foram concebidas como verdadeiros programas de imersão. O grupo é limitado a até 25 participantes por missão, para preservar a qualidade do networking e a personalização da experiência.

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