Empresas selecionadas no edital do Programa de Desenvolvimento da Cadeia Produtiva de Hidrogênio Verde (H2V) no Rio Grande do Sul participaram de uma reunião nesta terça-feira (20/1) para discutir oportunidades de integração da indústria gaúcha às novas demandas de transição energética. O encontro, liderado pelo Sistema Fiergs e realizado na sede da entidade, reuniu representantes da Invest RS, da Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura do RS (Sema) e da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), além das empresas contempladas.
O programa financia iniciativas de produção de hidrogênio limpo, com foco no fomento à inovação em descarbonização industrial em escala estadual, destinando R$ 102,5 milhões para projetos do setor. O projeto estimula a transição energética em direção a uma economia de baixo carbono, a geração de emprego e renda nas diferentes regiões do Estado e a inovação tecnológica.
A gerente de Negócios da Invest RS, Lucila Pellegrini, ressaltou que o edital é uma parceria fundamental com a Sema e a articulação com o Sistema Fiergs é necessária para o aumento da competitividade industrial. “O edital contemplou quatro empresas, e o próximo passo é apoiar aquelas que não foram selecionadas, identificando suas demandas por investimento ou desenvolvimento. A proposta é construir, ao longo do ano, uma trilha que envolva desde empresas em estágio mais avançado até aquelas que ainda precisam adquirir conhecimento e se conectar ao mercado”, explicou.
Entre as 16 empresas participantes do edital, a Âmbar Sul, Tramontina, Rodoplast e Be8 tiveram projetos selecionados. Cada uma poderá receber até R$ 30 milhões, sem a necessidade de reembolsar o Estado, desde que garantam uma contrapartida mínima de 30% do valor do projeto.
O diretor da Fiergs, Hernane Cauduro, destacou que o objetivo do encontro é potencializar a capacidade das indústrias gaúchas para o desenvolvimento de hidrogênio verde. Segundo ele, esse movimento surge a partir de um projeto piloto realizado anteriormente, que evoluiu para o programa Conexão Indústria RS – programa de desenvolvimento e adensamento das cadeias produtivas do estado, promovido em parceria com a Invest RS.
“Esse movimento tem como foco o avanço das cadeias produtivas. O Rio Grande do Sul é historicamente um estado industrializado, mas ainda apresenta lacunas importantes, que representam oportunidades para atrair investimentos, ampliar a competitividade, reduzir custos e fortalecer o crescimento industrial”, afirmou. Ele enfatizou, ainda, o potencial do setor de bens de capital, máquinas e equipamentos do Rio Grande do Sul. “Existe uma oportunidade muito grande para que a indústria gaúcha desenvolva e adapte equipamentos voltados ao hidrogênio, uma nova fronteira que se apresenta para o estado dentro de uma cadeia estruturada de fornecedores”, concluiu.
Os projetos contemplados no edital buscam reduzir as emissões de gases de efeito estufa (GEE) nas cadeias industriais, além de estimular a inovação e o desenvolvimento de insumos sustentáveis. Durante a reunião, as empresas apresentaram suas iniciativas. A Âmbar Sul pretende substituir o hidrogênio cinza por hidrogênio verde no processo de arrefecimento industrial da Usina Termelétrica Candiota III, por meio de eletrólise da água com energia solar e sistema de armazenamento.
A Tramontina propõe a implantação de uma planta de produção de hidrogênio verde na unidade de cutelaria, em Carlos Barbosa, para a conversão da frota interna para células a combustível, eliminando emissões no transporte. A Be8 S.A, em Passo Fundo, prevê a instalação de um posto de abastecimento de hidrogênio verde para caminhões extrapesados, produzido a partir de etanol. Já a Rodoplast propõe a implantação de uma planta de hidrogênio verde em Vacaria, com integração ao sistema de gestão de resíduos sólidos urbanos (RSU), utilizados como fonte complementar de energia e calor.
O diretor executivo de Petróleo, Gás Natural, Bioenergia, Hidrogênio e Petroquímica da Abimaq, Alberto Machado Neto, apresentou as oportunidades para a indústria no setor de hidrogênio. O hidrogênio verde é o hidrogênio produzido a partir de fontes de energia renovável. Uma das principais formas de obtenção é por meio da eletrólise, processo em que a corrente elétrica separa a água em hidrogênio e oxigênio.
Esse combustível pode ser aplicado em diferentes áreas, como no transporte de cargas, no aquecimento de ambientes por sistemas de calefação e em processos industriais. Segundo ele, “o Brasil tem chance de ser protagonista na economia de hidrogênio”, já que a indústria brasileira já tem capacidade para produzir mais de 40% dos bens necessários para a cadeira de hidrogênio. Como desafios imediatos na cadeia, estão os custos para produção de H2 verde, a infraestrutura que apresenta gargalos como em linhas de transmissão e portos adaptados, e regulação, com marcos regulatórios claros e políticas de precificação de carbono.
Próximos passos
Como encaminhamento do encontro, está prevista a realização de rodadas técnicas para apresentação dos projetos desenvolvidos pelos investidores às indústrias interessadas em integrar a cadeia produtiva do hidrogênio verde que está sendo estruturada no estado. Os encontros ocorrerão na sede do Sistema Fiergs e terão como objetivo aproximar oferta e demanda tecnológica, promovendo o diálogo direto entre desenvolvedores de projetos e potenciais parceiros industriais.